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Parte I – Hedonismo regado com esperma de caule

Vendi o corpo por água,
Apesar de a chuva cair todos os dias.
E minha vagina em flor teve pétalas arrancadas
Antes mesmo que pensassem em murchar

secando…
descolorindo…
morrendo…

Eu não queria sua beleza desperdiçada.
Abri bem as pernas.

E antes que as folhas caíssem,
Antes que os galhos secassem,
A vida foi ejaculada em mim.
Tantas e tantas vezes.

Tive muitos orgasmos, quase todos fingidos.

Parte II – Vampirismo vindo dos recônditos mais longínquos

Vieram de muito longe
Só para beberem em meu cálice.
Eu dei do líquido.
Engoliram sedentos
Até a fonte secar.

Meu esperma perdeu o aroma adocicado, misturado a tantos outros gostos.

Parte III – Autoflagelo

Desse caule cheio de espinhos
Tentei arrancar todos.
Com as próprias mãos.

Vi sangrarem feridas de minha carne.
Chorei gritos de ódio e de dor.

Continuei berrando,
Enquanto minhas mãos pingavam
(pingavam
pingavam
pingavam…)
Lágrimas que não deveriam ser minhas.

Parte IV – Final?

Sou uma santa que se prostitui todos os dias, pelo simples prazer de se humilhar. Sou uma louca lúcida, que vê o pouco da sanidade dissolver sob os olhos. Sou uma promíscua que se confessa sempre, apesar de não querer redenção. Sou uma virgem enfastiada, que se deixa ser estuprada pela vida.

18/08/2011

Cláudia Fonseca

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